Brasileiro é condenado nos EUA por esquema de pirâmide financeira

Cleber Rene Rizerio Rocha foi considerado culpado por conspiração e lavagem de dinheiro no caso TelexFree

Reuters



9 fev 2018, 12h18

Um brasileiro foi condenado a quase três anos de prisão nos Estados Unidos por tentar lavar dinheiro ligado a um esquema de pirâmide financeira conhecido como TelexFree.

Cleber Rene Rizerio Rocha, 28, confessou seus crimes e ajudou as autoridades americanas na investigação do caso. Com uma das pistas que forneceu durante os interrogatórios, a polícia descobriu 17 milhões de dólares escondidos em um colchão por um dos donos da empresa para qual o brasileiro trabalhava.

Promotores federais em Boston disseram que Rocha viajou aos Estados Unidos em várias ocasiões para ajudar a recuperar dinheiro que um cofundador da TelexFree, empresa responsável por lavar milhões de dólares ilegalmente no país, deixou para trás quando fugiu do país.

Rocha foi preso em janeiro de 2017 e se declarou culpado pelos crimes de conspiração e lavagem de dinheiro em uma audiência em janeiro deste ano. Raymond Sayeg, advogado que representa o brasileiro, argumentou que ele não deveria cumprir mais do que os 13 meses que ele já cumpriu desde sua prisão.

Contudo, o promotor responsável pelo caso, Andrew Lelling, disse que Rocha desempenhou papel-chave em atividade ilícita ao atuar como mensageiro e custodiante de dinheiro de um esquema de pirâmide que o cofundador da TelexFree Carlos Wanzeler escondeu. “O senhor Rocha não é um cordeiro inocente”, disse Lelling.

O juiz Leo Sorokin, ao impor uma sentença de 33 meses de prisão, deu crédito a Rocha por ter colaborado com as autoridades ao menos inicialmente, ao ajudá-las a localizar o apartamento em Westborough, no Estado de Massachusetts, onde os 17 milhões de dólares foram encontrados.

O caso

Segundo os promotores, a TelexFree, uma empresa de venda de telefones pela internet, fazia pouco ou nenhum dinheiro vendendo seus serviços, mas recebeu milhões de dólares de milhares de pessoas que pagavam para se cadastrar para ser “promotores” e publicar anúncios online para a companhia.

Sediada em Massachusetts, a TelexFree faliu em 2014, provocando 3 bilhões de dólares em perdas para quase 1,89 milhão de pessoas em todo o mundo, disseram promotores.

James Merrill, outro cofundador da TelexFree, foi preso em maio de 2014 e sentenciado a 6 anos de prisão em março de 2017, depois de se declarar culpado das acusações de fraude e conspiração.

Wanzeler, que é cidadão brasileiro, fugiu para o Brasil em 2014 e não pode ser extraditado. Ele deixou para trás dezenas de milhões de dólares que lavou de contas da TelexFree, disseram os promotores.

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