Empresa diz que Prefeitura de SP sabia da instalação de câmeras em poste; secretário nega | Carnaval 2018 em São Paulo

Empresa diz que Prefeitura de SP sabia de instalação de câmeras para carnaval de rua

A empresa GWA Systems, responsável pela instalação das câmeras para monitorar o pré-carnaval de rua em São Paulo, prestou depoimento à polícia na tarde desta quarta-feira (7), garante que a Prefeitura não apenas estava ciente da instalação e localização, como acompanhavam as imagens geradas pelos equipamentos que estavam no poste que Lucas da Silva, de 22 anos, tocou antes de ser eletrocutado no domingo (4), na Rua da Consolação. O secretário das Prefeituras Regionais, Cláudio Carvalho, nega: “A gente não sabia que as câmeras estavam lá”.

O folião participava da festa realizada pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, quando encostou em um poste de sinalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na esquina da Rua da Consolação com a Matias Aires, levou uma descarga elétrica e morreu. Em cima do poste estavam duas câmeras ligadas a um emaranhado de fios, conhecido popularmente como ‘gambiarra’. Imagens do momento em que Lucas é eletrocutado foram gravadas por outras câmeras.

A empresa Dream Factory, vencedora da licitação para promover o carnaval de rua em São Paulo, contratou a GWA para realizar o serviço de monitoramento em vídeo.

Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, foi eletrocutado ao encostar em um poste no Centro de SP (Foto: Reprodução/Facebook)

Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, foi eletrocutado ao encostar em um poste no Centro de SP (Foto: Reprodução/Facebook)

“A DreamFactory nos apontou onde deveria ser feita a instalação, informação inclusive prevista no contrato entre ela e a Prefeitura. Nós tínhamos autorização e indicação para instalar os equipamentos, inclusive de modo tácito, indicado e ratificado. Os representantes da Prefeitura sabiam onde estavam as câmeras e estavam presentes nos centros informatizados disponibilizados pela GWA”, garantiu Lucas Braga, advogado da empresa. “Ou seja, quem está observando as imagens não sabe que a câmera está ali presente?”, questiona.

O advogado da empresa de planejamento e execução de estratégias de comunicação disse ainda que sequer sabe aonde estão as câmeras após o episódio, pois a CET retirou os equipamentos sem informá-los.

“Não sabemos quantas câmeras temos ainda porque a CET vem de modo deliberado desinstalando todas elas, algo que inclusive nos causa enorme estranheza, já que a GWA disponibilizou todos os centros informatizados com telas e todas as câmeras estavam disponíveis para utilização da CET, da PM, da Prefeitura”, afirmou Lucas Braga.

Secretário diz que empresa não tinha autorização para instalar câmeras em poste em SP

Secretário diz que empresa não tinha autorização para instalar câmeras em poste em SP

Ainda nesta quarta, o secretário das Prefeituras Regionais, Claudio Carvalho, disse à GloboNews que a Prefeitura não sabia aonde estavam os equipamentos.

“A gente não sabia que as câmeras estavam lá. Houve uma instalação de 38 câmeras em locais inadequados, porque são equipamentos públicos que requerem autorização. Não pudemos fiscalizar porque não sabíamos onde estavam instalados. Nos postes da Ilume, CET e Eletropaulo não houve autorização da Prefeitura. Já pedimos a lista dessas instalações. Foram recolhidas todas as câmeras onde estavam essas instalações irregulares”, disse.

O delegado titular do 4º DP, Júlio César Geraldo disse na tarde desta quarta-feira que o caso apenas começou e que ele ainda tem muitas dúvidas. “O que temos é: todas as partes foram identificadas, todos se manifestaram de alguma forma, todos estão intimados e os exames periciais já foram feitos”, disse o delegado.

“Contudo, não ouvimos todas os envolvidos, testemunhas e pelo menos dois laudos são aguardados – do IML e a perícia técnica, para ver o que estava energizado, a descrição dos fios, do poste, dos materiais, tudo isso foi pedido”, explicou o delegado. “Estamos absolutamente em início de investigação. As empresas trabalharam sem autorização? Tinham plano de ação? Qual a qualidade do material? Tem algum outro motivo para a morte do rapaz? Não é tão simples”, completou.

Poste com emaranhado de fios na Rua da Consolação (Foto: Reprodução/TV Globo)Poste com emaranhado de fios na Rua da Consolação (Foto: Reprodução/TV Globo)

Poste com emaranhado de fios na Rua da Consolação (Foto: Reprodução/TV Globo)

O proprietário da GWA, Arthur José Malvar de Azevedo, diz que teve autorização da Dream Factory para instalar as câmeras e “puxar” energia dos postes para alimentá-las. E que teve orientação de representantes da Polícia Militar (PM) de como deveria posicionar os equipamentos.

“A minha estranheza é que fui acusado pela CET e Ilume de furto de eletricidade. Mas a CET trabalhou dentro de uma sala de monitoramento da empresa em conjunto com outros órgãos públicos”, comentou o dono da GWA. “Como me acusam de ter furtado se estavam usando o sistema para trabalhar? ”, questiona Azevedo.

“A GWA informa que sempre seguiu todas as normas técnicas de segurança que regulamenta o setor que atua”, disse o dono da empresa. “As nossas câmeras na Consolação estavam instaladas corretamente.”

Ele afirmou que contratou uma perícia particular, que emitiu um parecer técnico para demonstrar que a GWA não tem responsabilidade com o que aconteceu com o estudante morto. “Cada câmera só usa 12 volts.”

Segundo Azevedo, 106 câmeras foram instaladas, restando as demais para serem colocadas. Mas o dono alegou que recebeu documento da CET para retirar todos os equipamentos.

Vídeo mostra jovem caindo após encostar em poste

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O que diz a Dream Factory

A empresa disse que “seguiu estritamente todas as orientações fornecidas por representantes da Prefeitura para que o fornecedor contratado pudesse instalar as câmeras de monitoramento nos locais por ela indicados, cujas imagens foram amplamente utilizadas tanto pela Prefeitura quanto demais órgãos durante toda a operação do carnaval”.

conta da repercussão do caso, o prefeito João Doria (PSDB) se pronunciou nesta terça-feira, dizendo que a instalação das câmeras não é um “instrumento oficial” da Prefeitura e foi instalado “indevidamente”. Segundo ele, a CET não autorizou a colocação dos equipamentos, e a Ilume (departamento de iluminação pública da prefeitura) não permitiu retirar energia para os aparelhos.

“A instalação dessa câmera não estava autorizada, portanto, ela não representava um instrumento oficial da Prefeitura de São Paulo. Ela foi instalada indevidamente e em condições técnicas inadequadas, mas o laudo final nós temos que aguardar, será emitido pela polícia técnica da Polícia Civil”, disse Doria.

Em comunicados divulgados nesta semana, a Secretaria de Prefeituras Regionais informou que solicitou que a Eletropaulo vistoriasse os locais onde foram instaladas as câmeras.

Homem encosta em poste durante bloco em SP e morre eletrocutado

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Segundo o Ilume, todas as câmeras foram desenergizadas na mesma noite de domingo.

A CET informou, por meio de nota (veja íntegra ao final da reportagem) que a GWA instalou as câmeras “sem um pedido de autorização para a utilização do poste de sinalização de pedestres” e que já retirou e devolveu à empresa os equipamentos encontrados sem autorização.

“Se tivesse feito a solicitação, saberia que a CET não autoriza a instalação de dispositivos por terceiros em postes de sinalização, uma vez que o manual interno da Companhia determina que a finalidade dos postes e das colunas seja apenas para sinalização de trânsito”, diz a nota da CET.

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