Gaeco prende ex-funcionário da Santa Casa de Araraquara por desvio de remédios | São Carlos e Região

Gaeco cumpriu mandado de prisão em Araraquara e apreendeu dois pen drivers (Foto: Arquivo Pessoal)

Gaeco cumpriu mandado de prisão em Araraquara e apreendeu dois pen drivers (Foto: Arquivo Pessoal)

Um ex-funcionário da Santa Casa de Araraquara (SP), que era investigado desde maio de 2016, foi preso nesta quarta-feira (31) em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público de São Paulo. O homem de 39 anos é acusado de integrar um esquema de desvio de remédios de alto custo fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na casa dele, no bairro Santa Angelina, foram apreendidos dois pendrivers e uma caminhonete. O ex-funcionário foi levado para O Centro de Detenção Provisória. Ele deve prestar depoimento nesta quinta-feira (1º) na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e depois será encaminhado para Bauru.

No total, nove pessoas foram presas nesta manhã acusadas de desviar medicamentos. A investigação aponta que o grupo conseguiu R$ 16,5 milhões ao revender medicamentos para hospitais e clínicas entre setembro de 2014 e maio de 2016.

Acusado, objetos e veículo apreendidos foram levados para a DIG de Araraquara (Foto: Arquivo Pessoal)Acusado, objetos e veículo apreendidos foram levados para a DIG de Araraquara (Foto: Arquivo Pessoal)

Acusado, objetos e veículo apreendidos foram levados para a DIG de Araraquara (Foto: Arquivo Pessoal)

Em maio de 2016, os policiais que participaram da ação em Araraquara encontraram na casa do homem, que ainda era funcionário da Santa Casa, três caixas do medicamento Glivec, utilizado no tratamento de pessoas com câncer, com custo estimado de R$ 5 mil cada.

Na época, o acusado não estava no imóvel. Os policiais foram até o escritório dele na Santa Casa para realizar novas buscas, mas ele também não foi encontrado no hospital. A esposa do ex-funcionário foi levada para a DIG para prestar depoimento.

Procurada, a Santa Casa de Araraquara informou que quando a operação foi deflagrada, o acusado foi imediatamente afastado das funções e que no dia seguinte, dia 20 de maio de 2016, ele foi desligado da instituição.

Disse também que cumpriu o mandado judicial e abriu as portas do hospital à polícia, colaborando com as investigações. O hospital destacou que o processo de investigação refere-se exclusivamente a um ex-funcionário, e não à Santa Casa.

“Embora a instituição não tenha relação com o ocorrido, uma série de melhorias foram desenvolvidas, como a instalação de 60 câmeras de segurança, a implantação de um sistema informatizado que integra toda a unidade e a possibilidade de rastreamento de todos os materiais e medicamentos”, diz a nota do hospital.

Comércio irregular de medicamentos de alto custo é combatido em operação do Gaeco (Foto: Evandro Cini/TV TEM)Comércio irregular de medicamentos de alto custo é combatido em operação do Gaeco (Foto: Evandro Cini/TV TEM)

Comércio irregular de medicamentos de alto custo é combatido em operação do Gaeco (Foto: Evandro Cini/TV TEM)

A operação “Medlecy 2” coordenada pela Corregedoria Geral da Administração, do Governo do Estado de São Paulo, e o Gaeco, é desdobramento das investigações iniciadas em abril de 2016 em Bauru, que apurou a atuação do grupo criminoso.

Na manhã desta quarta-feira (31), nove pessoas foram presas acusadas de desviar medicamentos de alto custo de órgãos públicos. A investigação apontou que o grupo conseguiu R$ 16,5 milhões ao revender medicamentos para hospital e clínicas entre setembro de 2014 e maio de 2016.

Os nove mandados de prisão e 16 de busca e apreensão da operação foram cumpridos nos estados de São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Distrito Federal. Os acusados foram presos pelas práticas de organização criminosa e crime contra a saúde pública.

Preso durante a operação Medlecy 2  (Foto: Reprodução/TV Globo)Preso durante a operação Medlecy 2  (Foto: Reprodução/TV Globo)

Preso durante a operação Medlecy 2 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Durante a primeira investigação, o Gaeco descobriu que os criminosos conseguiam medicamentos de alto custo de origem ilícita, como furto, roubo e desvio de órgão público, para, em seguida, por meio de empresas de fachada, promover a venda desses medicamentos a clínicas e hospitais. Na primeira operação, nomeada de Medlecy, foram cumpridos 12 mandados de prisão e oito pessoas continuam presas.

Ao término dessa investigação, que durou cerca de um ano, o Gaeco ofereceu denúncia contra 15 pessoas residentes em Piratininga, Bauru, São Paulo, Campinhas, Ribeirão Preto e Goiânia por organização criminosa, crime contra a saúde pública e receptação dolosa qualificada.

O Gaeco também conseguiu identificar que as caixas dos medicamentos de alto custo recuperadas durante a operação inicialmente tinham sido vendidas à Secretaria de Estado da Saúde para o tratamento de câncer. Pelos valores de aquisição, cada caixa custava cerca de R$ 8 mil.

A Corregedoria também identificou que um dos investigados é funcionário público do estado de São Paulo e trabalha como motorista no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Entre abril e maio de 2016, o servidor teria recebido R$ 125 mil em depósitos bancários.

Paralelamente ao cumprimento dos mandados, estoques das farmácias de alguns hospitais estaduais foram vistoriados.

Todos os Direitos Reservados a(o) criador(a) deste conteúdo. Acesse o link original.

Siga e curta-nos!