Huck, que namora marqueteiro francês, vai ter de responder por campanha antecipada

Para a Globo, que inventou Collor, é muito fácil inventar um Macron

“Embora sem assumir ainda a candidatura de seu funcionário, a Globo, o apresentador Fausto Silva e o pré-candidato Luciano Huck, durante vários minutos, em rede nacional, discorreram acerca da necessidade dos brasileiros darem espaço para uma candidatura nova (a dele Luciano Huck), diferente de tudo e de todos que aí se encontra, capaz de agregar novos valores à política e à vida nacional, de modo que somente através de candidatura por ele representada o País e as futuras gerações poderiam vislumbrar um futuro melhor”. Trecho de representação de parlamentares petistas ao TSE

O ministro Napoleão Nunes Maia Filho, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, acatou representação de parlamentares petistas e deu cinco dias para que a TV Globo e os apresentadores Faustão e Luciano Huck respondam sobre se fizeram propaganda eleitoral antecipada.

A aparição de Huck no programa dominical de Faustão, que foi ao ar no dia 7 de janeiro, foi gravada no dia 11 de novembro do ano passado, antes que o apresentador global anunciasse sua desistência de concorrer ao Planalto.

“Quero um mundo melhor, um Brasil melhor para os meus filhos, acho que todo mundo quer. Acho que tem que torcer por isso de forma consciente e ficar de olho aberto. Somos uma coisa só, não tem que ficar dividido com partido. O brasileiro merece uma coisa melhor, temos um país maravilhoso e a gente merece melhorar as coisas por aqui”, declarou então.

Parlamentares do PT argumentaram que o apresentador usou a concessão pública de seu empregador para fazer campanha.

Merval Pereira, colunista de O Globo, à época defendeu a entrevista, escrevendo que Huck estava para o Brasil como a apresentadora Oprah Winfrey para os Estados Unidos.

Oprah havia estrelado a edição do Globo de Ouro com um discurso que levou a especulações de que eventualmente seria candidata à Casa Branca.

Alfinetando o PT, Merval acrescentou: “Mas lá, o Partido Republicano não está pensando em processar a Oprah, ou o Seth Myers ou a NBC”.

A comparação é descabida, uma vez que Oprah nunca considerou publicamente ser candidata, diferentemente de Luciano Huck.

Se quiser concorrer, Huck terá de se filiar a algum partido até 2 de abril. Ele tem mantido conversas com o PPS e, segundo a Folha de S. Paulo, tem mantido contato com Guillaume Liegy, o marqueteiro da campanha do presidente francês Emanuel Macron.

Em entrevista à revista Veja, o marqueteiro francês disse que é possível replicar o fenômeno Macron no Brasil:

É fácil dizer “adaptem o discurso de Macron à realidade brasileira”, mas pôr isso em prática é difícil. Minha intuição é que muitas pessoas estão pensando em concorrer, mas ainda não declararam. O discurso de Macron era fazer política de um jeito diferente do que fazem os velhos partidos que têm se revezado no poder há décadas. Funcionou na França porque havia muitos voluntários mobilizados. Foi preciso montar uma operação profissional de captação de recursos independente de fundos partidários e organizar o partido usando ferramentas de dados. Estou convencido de que é possível começar algo do zero no Brasil e, se o projeto vingar, aumentar a chance de vitória de 0,1% para 10%, como no caso de Macron.

Huck apareceu com 8% num dos cenários da mais recente pesquisa Datafolha.

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