Jornal Nacional – Rio vive novo dia de violência e PM propõe acabar com metade das UPPs

O Rio de Janeiro viveu nesta quinta-feira (1º) mais um dia de violência. Uma das propostas da Polícia Militar para segurança é acabar com quase metade das Unidades de Polícia Pacificadora, as famosas UPPs.

Enquanto as autoridades não se entendem, em três horas, moradores enfrentaram o medo dentro de casa, numa escola e na rua.

Indefeso. Exposto. Na linha de tiro, o morador registra o próprio desespero.

A mãe registra a tentativa de proteger a filha. “O tiro tá comendo, tudo parado. A situação é de desespero. Mandei já minha filha deitar no chão do carro. E que Deus nos proteja. Aí, a situação da criança é essa aí, olha”, dizia uma mulher no vídeo.

Ninguém está seguro.

Mais uma vez, policiais e traficantes da Cidade de Deus, na Zona Oeste da cidade, trocaram tiros. Mais uma vez, uma das vias mais movimentadas da cidade ficou imobilizada pelo medo.

“São 8h10 no Rio de Janeiro. Cidade de Deus, Linha Amarela. Tudo parado. Tiroteio. Todo mundo abrigado. Olha a situação”, dizia um homem em um outro vídeo.

A situação é a mesma de quarta-feira (31) e de outros dias e outras regiões da cidade.

Em uma casa, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, estavam 6 pessoas, 3 crianças. O repórter Genilson Araújo acompanhou, ao vivo do Globocop, o momento em que um assaltante fazia a família refém.

O bandido tinha roubado passageiros de um trem entrou na casa para fugir da polícia. Ele acabou se entregando. Os moradores comemoraram.

Às 10 da manhã um outro assaltante que fugia de policiais entrou no Colégio Pedro II, na Zona Norte do Rio. Mais de 300 alunos estavam no prédio tendo aulas de reposição.

“Foi tenso. Porque com a situação que a gente tá no Rio de Janeiro hoje em dia, infelizmente a gente tem que ficar ligado com tudo, tem que ter medo de tudo”, disse um estudante.

Os estudantes tiveram que sair, a polícia cercou o local, mas o assaltante fugiu.

Tudo isso aconteceu em 3 horas. E foi só mais uma manhã no Rio de Janeiro. Mas ninguém aceita essa rotina de medo. Tanta violência, o número de vítimas. Ninguém aceita que não tenha uma saída.

Nesta quinta-feira (1º), o Secretário de Segurança do Rio voltou a falar que uma das soluções é a ação integrada das Forças de Segurança.

“A partir disso cada setor, cada ente, cada poder tem que se planejar, seja com concurso público, seja com aquisição de equipamentos, com manutenção de serviços essenciais para responder às suas demandas”, afirmou Roberto Sá.

O comandante da Polícia Militar do Rio falou da possibilidade de cortar quase a metade das Unidades de Polícia Pacificadora. São 38. O projeto de segurança foi implantado em 2008.

“A proposta foi no sentido de se extinguir 18 UPPS. Mas logicamente que isso passa, como eu disse, por uma análise técnica”, disse Wolney Dias.

Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, o ministro da Defesa Raul Jungmann voltou a falar em falência na área da segurança.

“O sistema que foi desenhado na Constituição de 88 faliu. quê? Porque a realidade ultrapassou. É preciso uma redistribuição de responsabilidades. Nós temos que encarar este problema e procurar efetivamente a reforma das nossas polícias pra poder integradamente enfrentar esse problema que coloca em risco a sociedade, as instituições e a democracia”, disse.

Depois de mais um dia de tensão na cidade, o governador minimizou a violência que os cariocas enfrentam.

“A cidade do Rio de Janeiro, é claro que nós temos uma região metropolitana muito forte, a cidade do Rio não é a cidade mais violenta do país. Mas se a gente vir os nossos noticiários, os nossos jornais, parece que é. É uma cobertura cruel, o que a nossa área de segurança tem aqui, infelizmente”, afirmou Luiz Fernando Pezão.

Neste ano, o estado do Rio já registrou 530 tiroteios são 16 por dia. A conta é o aplicativo “Onde Tem Tiroteio”.

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