Jovem baleada na Cidade de Deus foi atingida quando estava a caminho de uma padaria

RIO – Apesar do clima tenso na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio – palco de confrontos nos últimos dias -, Natacha Aparecida Cruz, de 19 anos, não imaginava que se tornaria mais uma vítima da violência que assola a comunidade. volta das 20h desta quinta-feira, ela saiu de casa e seguia na direção de uma padaria, não muito longe de sua residência, quando foi surpreendida por um tiroteio. Próximo ao estabelecimento comercial, houve confronto entre policiais militares e criminosos da favela, contaram testemunhas. Durante o fogo cruzado, a jovem foi atingida pela bala perdida na região do tórax.

— Ela correu e se escondeu em um barraco. Naquele momento, ainda não tinha percebido que havia sido baleada. Só entendeu o que tinha acontecido quando colocou a mão nas costas e percebeu que estava sangrando — disse um parente da jovem, que pediu para não ser identificado.

Natacha, que é dona de casa e mora com o marido, foi socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, onde recebeu os primeiros atendimentos, antes de ser transferida para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Segundo parentes, a bala ficou alojada e não havia sido retirada até o início da madrugada desta sexta-feira. Eles disseram ainda que, naquela ocasião, a situação da moça, apesar da seriedade, era estável.

Pessoas que conhecem a vítima, descreveram Natacha como uma “boa filha” e “uma jovem comum, como qualquer outra”. Ela, que ostenta uma pequena tatuagem em formato de coração na altura da bochecha esquerda, mora na localidade conhecida como Pantanal, no interior da Cidade de Deus.

No momento em que foi ferida, moradores foram até a casa da mãe da vítima para relatar o caso. O susto foi grande. Ela, que segurava um celular, chegou a “derrubar o aparelho” quando tomou ciência do que ocorrera com a filha momentos antes.

Além disso, testemunhas contaram que, no confronto na favela, havia muitos moradores circulando pelas ruas daquela localidade. Durante o fogo cruzado, muitos correram para tentar se abrigar.

— A gente está nas mãos de Deus. Entregues à própria sorte (na Cidade de Deus). Eu estava em casa e cheguei a ouvir o barulho do tiroteio. Depois, soube que ela (Nathacha) tinha sido ferida — afirmou outra parente da vítima, durante o início da madrugada no Hospital municipal Lourenço Jorge.

Um amigo da jovem, que também pediu para não ser identificado, fez coro:

— Nos últimos dias a situação na Cidade de Deus piorou muito. Lá está muito perigoso.

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