‘Quero servir de motivação para estudantes de escola pública’, diz 1º lugar em Direito na UFBA

Livio Pereira, de 18 anos, quer servir de inspiração para pessoas que, assim como ele, estudaram em escola pública – Arquivo pessoal

RIO — O jovem Livio Pereira, de 18 anos, se considerava um aluno mediano na época da escola, mas quando viu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) batendo na porta do seu destino, decidiu que era hora de mudar o foco para os estudos. Aprovado em 1º lugar na Universidade Federal da Bahia (UFBA) no curso de Direito, ele quer servir de inspiração para outras pessoas que, assim como ele, estudaram em escola pública.

— Quero servir de motivação para estudantes de escola pública porque a realidade não é fácil. São muitos os percalços pelos quais o estudante da rede pública passa e tudo o que ele precisa é de incentivo. Esse é o grande desafio: ter apoio. E essa é minha mensagem e o meu objetivo: servir de espelho para outros estudantes de origem humilde e servir de exemplo para a representatividade do povo negro — contou Livio ao GLOBO nesta quinta-feira.

Como forma de incentivar outros candidatos ao ensino superior, Livio criou a conta no Instagram “Livro na Federal”. Nela, ele publica mensagens positivas, piadas e dicas para as pessoas mandarem bem na prova da principal porta de entrada para universidades públicas.

Além de ser grato aos professores que o ajudaram a seguir em frente, ele disse que “não teria nada” sem o apoio da família para estudar. Seu pai, motorista de ônibus, a mãe, dona de casa, e a irmã, que está concluindo a faculdade de Nutrição, desempenharam papel indispensável na vida de Livio.

Eu, como qualquer outro estudante do ensino médio, fiquei nervoso quando o vestibular estava se aproximando. Sempre fui um aluno mediano, mas quando estava chegando no final no ensino médio, comecei a ter a vontade de me destacar, então me dediquei bastante, estudei muito no ensino médio, integrado a um curso ténico de segurança do trabalho que foi fundamental para esse resultado.

— Uma família estrututada serve de muito apoio. A minha sempre me apoiou e sem eles eu não teria nada. Tive pais que me deram alicerce. Minha realidade é que fui beneficiado — disse.

Ele explicou que fez quatro anos de ensino médio devido a especificidade do curso técnico. Com isso, estudou matérias que lhe despertaram o interesse pelo Direito. Antes, ele pensava em ingressar na faculdade de Psicologia.

— As matérias técnicas me abriram muito os olhos para o curso de Direito, que normalmente é o segundo mais concorrido, porque só perde para Medicina. Fiz testes vcavionais que os professoram passaram no colégio. Eles me ajudaram bastante.

ROTINA DE ESTUDOS

Nos dois anos que estudou para o Enem, Livio contou ter sentido bastante dificuldade inicialmente devido ao colégio e ao estágio, que impediam que estudasse por muitas horas por dia em quarto, a que chamou de “cantinho do guerreiro” como forma de incentivo.

— Dormia tarde para acordar cedo. Minha mãe me mandava dormir. Quando não estava domindo, estava estudando. Se você precisa trabalhar para ajudar em casa, pode ser que leve um tempo maior para passar (em uma universidade), mas vai conseguir. Passei em primeiro, então é possível — afirmou o jovem.

Nessa primeira etapa, ele estava no quarto ano do curso técnico. Eram aulas de manhã, estágio à tarde e curtinho à noite.

— Era muita correria. Eu almoçava no ônibus. A quantidade de horas no dia não fechava. Eu acordava cedo, antes do horário ideal para me arrumar para o colégio, para poder estudar. Na saída da escola, demorava um pouco estudando até o horário do estágio à tarde. Chegava em casa, tomava um banho e saía para o cursinho, quando fazia um lanche. De volta para casa, às vezes virava a noite estudando, mas não rendia — relatou.

Os estudos diários de Livio ficaram mais organizados no ano seguinte, ao continuar no cursinho pré-vestibular até metade do ano, quando parou devido a uma viagem.

— Minha rotina do segundo ano de estudo para o Enem, depois que concluí o curso ténico, era: acordar às 6h30, tomar café da manhã e estudar das 7h às 11h. Depois de um tempo, consegui estender o cronograma até 13h. A cada 50 minutos fazia uma pausa de 10 minutos para descansar. Mantinha o estudo mesmo no fim de semana, quando fazia simulados. Parava 13h, almoçava, dormia por cerca de uma hora e retomava às 14h. Era nesse momento em que pegava firme por três horas nos problemas de matemática — listou.

Para o jovem, reservar curtos períodos ao longo do dia para descansar a mente foram fundamentais para sua absorção do conhecimento que lhe render aprovação na universidade. isso, depois dos exercícios de exatas, Livio parava os estudos por uma hora, e às 19h voltava, por meio de revisões do que leu e fez, até meia noite, para, enfim, dormir e continuar o ciclo novamente no dia seguinte.

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