Viaduto que caiu no DF já precisava de manutenção em 2009, diz relatório | Distrito Federal

‘Inspeções já faziam alertas para necessidade de verbas’, diz diretor do DER sobre viaduto

O desabamento de um trecho do viaduto do Eixão Sul, na área central de Brasília, na tarde desta terça-feira (13) é uma tragédia anunciada há, pelo menos, nove anos. Em 2009, relatório feito pelo Sindicato de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco) apontava a necessidade de reparos “com urgência” no trecho – e em outros oito viadutos e pontes.

As obras foram analisadas no intervalo de dois anos, em 2009 e em 2011. A conclusão do relatório foi que, nesse período, os problemas não só persistiram, como se agravaram. De acordo com o Sinaenco, além do viaduto sobre a Galeria dos Estados, as pontes do Bragueto (acesso ao Lago Norte) e das Garças (acesso ao Lago Sul) também tinham quadro crítico, naquele momento.

Presidente do sindicato à época da divulgação da pesquisa, em 2011, Rodrigo Gazen afirmou ao G1 e à TV Globo que os problemas variavam desde infiltrações e ferros expostos até descolamento do concreto e fendas abertas.

“A Galeria dos Estados é uma das piores condições que encontramos durante a pesquisa. Os pedestres e carros que passam por baixo do viaduto podem ter problemas com pedras, que podem cair a qualquer momento”, disse Gazen.

Viaduto no Eixão Sul desabou próximo á Galeria dos Estados, no centro de Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)

Viaduto no Eixão Sul desabou próximo á Galeria dos Estados, no centro de Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)

Naquele momento, ele explicou que, quanto mais tempo o governo demorasse para fazer as intervenções necessárias, mais dinheiro seria gasto. Após o desabamento, anos depois, o presidente do Departamento de Estadas de Rodagem (DER-DF) cobrou “orçamento específico” para as obras de manutenção.

Sem manutenção, ‘infelizmente’

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), chegou ao local poucas horas após o acidente. Em entrevista, ele admitiu que, “infelizmente”, aquele viaduto da Galeria dos Estados não tinha recebido as devidas vistorias nos últimos anos.

“Esse, infelizmente, ainda não tinha recebido manutenção.”

“Brasília é uma cidade que está envelhecendo, é feita de concreto e precisa de manutenção, de reforço das estruturas”, afirmou Rollemberg. Ele não informou, no entanto, quando isso será feito, ou que tipo de verba será remanejada para reforçar a vistoria.

Brasília completa 58 anos no próximo dia 21 de abril e é uma das capitais mais novas do país. Só perde para Palmas, capital do Tocantins, inaugurada no dia 20 de maio de 1989.

No total, 25 estruturas foram verificadas, mas apenas 11 tiveram o diagnóstico divulgado. Naquele momento, dois trechos foram considerados em boas condições: uma intervenção no Palácio do Buriti e outra no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, que aconteceram entre 2009 e 2011.

As demais estruturas que tiveram problemas apontados foram o Palácio do Buriti (em uma parte diferente da corrigida), a Ponte Costa e Silva, Ponte JK, a Universidade de Brasília (UnB) e os viadutos da 216 Sul, 204 Sul e da N2 Norte.

O diretor de Consultoria de Engenharia do sindicato à época, Gilberto Antônio Giuzio, explicou que o estudo foi feito apenas visualmente. Naquele momento, ainda cabia aos próprios órgãos responsáveis fazer novas verificações técnicas, mais específicas, para avaliar o real problema nas estruturas. “Ao longo dos anos, estes problemas que encontramos podem chegar a um colapso maior”, disse.

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